Invasores e madeireiros ameaçam Parque Estadual de Guajará-Mirim em Rondônia
O Parque Estadual de Guajará-Mirim enfrenta invasões e extrações ilegais de madeira, com ações policiais em andamento para proteger a área e sua biodiversidade.
O Parque Estadual de Guajará-Mirim enfrenta sérios desafios com invasores de terras públicas e madeireiros que praticam exploração ilegal. Durante as operações da Operação Verde Rondônia, coordenada pelo Corpo de Bombeiros Militar, foram encontrados equipamentos, como motosserras e combustível, ocultos na floresta. Estes materiais são utilizados por criminosos para a extração ilegal de madeira. Esta área, que abrange cerca de 220 mil hectares, é uma unidade de conservação estadual destinada à preservação ambiental e pesquisa.
O parque está localizado em Rondônia, Brasil, abrangendo os municípios de Guajará-Mirim e Nova Mamoré. É uma região importante para a sustentabilidade, pois protege áreas de cerrado e de transição para floresta tropical. Criado para manter e preservar essa biodiversidade, sua integridade é ameaçada por invasões e queimadas, além da extração ilegal de madeira. No ano passado, durante a seca, a unidade de conservação sofreu com derrubadas e incêndios, enfrentando ataques por parte de criminosos que tentam reivindicar terras públicas.
O Parque Estadual de Guajará-Mirim não é o único afetado por invasões; outras unidades de conservação em Rondônia também enfrentam problemas semelhantes. O descaso com áreas públicas ocorre em toda a região, onde muitas delas foram suprimidas em favor de interesses privados. Um exemplo é a Reserva Extrativista Jaci-Paraná, onde um projeto de lei aprovado em abril deste ano regularizou a situação de ocupantes ilegais, concedendo perdão de multas e cancelando processos judiciais relacionados. Essa norma também protege compradores de produtos rurais originados na região nos últimos 30 anos.
Em 2025, durante ações coordenadas pelo Corpo de Bombeiros, foram descobertos equipamentos relacionados a derrubadas ilegais e áreas comprometidas por madeireiros. As equipes de fiscalização destruíram pontes clandestinas utilizadas pelos invasores. A região do entorno do parque é a mais impactada, com criminosos derrubando a vegetação nativa e buscando sensibilizar as autoridades para a regularização de áreas invadidas.
Até agora, a Operação Verde Rondônia registrou 1.468 eventos de fogo, muitos em áreas protegidas. Os Bombeiros realizaram 444 averiguações de incêndios e capturaram 92 animais silvestres, mobilizando tropas em diversas localidades críticas para combater queimadas e incêndios florestais.
Embora os resultados da operação sejam significativos, a abrangência das ações poderia ser maior se houvesse mais recursos. Em junho de 2025, a Assembleia Legislativa de Rondônia rejeitou o Projeto de Lei 803/2025, que previa R$ 10 milhões para a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sedam) destinados à fiscalização ambiental e ao pagamento de diárias dos fiscais. A proposta tinha parecer favorável, mas foi arquivada após votação em sessão legislativa, mesmo com o apoio de alguns deputados.
A não aprovação do projeto compromete as iniciativas de defesa ambiental, especialmente em um ano crítico como o da COP 30 na Amazônia. A falta de ação no cuidado ambiental pode ter repercussões nas exportações, uma vez que países, como os da União Europeia, estão implementando embargos a produtos provenientes de áreas com significativos impactos ambientais.
Rondônia figura entre os estados que mais desmatam e promovem queimadas ilegais na Amazônia. Para reverter essa situação, são necessários investimentos focados na fiscalização e no combate a crimes ambientais.